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Entrevista a CLAUDIO RAPACCIOLI
Um dos treinadores de Guarda-Redes mais reconhecidos em Itália.
O Presidente da Associação de Treinadores de Guarda Redes Italianos diz, sem qualquer dúvida, que "Em Portugal senti que não há grande preocupação com a acção técnica”
Uma certeza que até já os Italianos percebram...



Hugo Oliveira (HgO) - Como defines os Guarda-Redes Modernos?

Claudio Rapaccioli (CR) - O Guarda-Redes moderno é um atleta completo que não pode jogar em antecipação, mas sim esperando a opção do adversário. No entanto, isso não significa que não tome opções e que não seja activo. O Guarda-Redes moderno tem que perceber que faz parte da equipa, quer defensivamente, quer ofensivamente.
HgO - Então como deve o treinador de Guarda Redes pensar e executar o treino do Guarda Redes moderno?

CR - Primeiro de tudo, o treinador específico deve ser o "refúgio seguro" do guarda-redes e, como tal, o primeiro passo de treino tem a ver com questões psicológicas.
Depois o treinador deve estabelecer trabalho para manter o Guarda-Redes estabilizado toda a época, preparando-o sempre para o mais alto nível de execução. Melhorar as suas fraquezas técnicas e principalmente tácticas. Importante é o treinador perceber as características do Guarda-Redes e trabalhá-las para o jogo.
No treino de Guarda-Redes de formação o treinador deve perceber que é um elemento importante na formação psicológica. Dar conhecimentos técnicos e tácticos ao Guarda-Redes e perceber sempre quais os erros para os corrigir, realizando exercícios de evolução e correcção.

HgO - Existe a ideia que o treino italiano se preocupa muito com a vertente física/atlética do Guarda-Redes, é verdade?

CR - Sim é verdade, mas mais numa vertente de estabilidade atlética. Por exemplo, nós preferimos um Guarda-Redes cuja estatura esteja à volta do 1,90m. No futebol moderno, a velocidade da bola, a velocidade do jogo, os cruzamentos, levam a que um Guarda-Redes mais alto tenha mais possibilidades de sucesso. Mesmo assim, a vertente física não é tudo.

HgO - O que é então mais importante no Guarda-Redes, a nível físico, técnico, táctico e mental?

CR - No futebol moderno são todas importantes, 25% de importância para cada uma destas vertentes. A técnica permite que não cometas erros e que sejas elegante. A táctica permite que leias o jogo e decidas bem. A física permite que tenhas a estrutura correcta para poder agir rápido e forte e, finalmente, a acção mental dá estabilidade para que o Guarda-Redes tenha forte personalidade nos momentos bons e maus.

HgO - Em Portugal existe algum receio em relação a nomes de TOP para a baliza. E em Itália?

CR - Penso que estamos no bom caminho e que temos bons valores para o futuro e que continuaremos a ter tradição de qualidade na baliza. Marcheti (Cagliari), Viviano (Brescia), Consigli (Atalanta), Fiorillo (Sampdoria) são nomes de muito futuro.

HgO - Mas depois de Buffon, qual achas que vai ser número 1?

CR - Depois de alguns problemas físicos, penso que o Buffon vai regressar bem e vai estar ao mais alto nível muito anos. É muito bom! Mas se pensar em termos futuros, Marchetti e Fiorillo podem ser os nomes da selecção nacional.

HgO - E a nível mundial? Quem é o número 1?

CR - Neste momento, pela interpretação do jogo, eu prefiro o Van der Saar. Mas também gosto do Casillas e Chech e, se der continuidade ao que tem feito, penso que o Handanovic da Udinise pode pensar no Top das balizas, tal como, Julio Cesar do Inter.

HgO - Estiveste no Seminário de Treino de Guarda-Redes organizado pelo S.L. Benfica. Como sentiste o momento do treino de Guarda-Redes em Portugal e também dos Guarda-Redes?

CR - Primeiro de tudo, quero dizer que foi um prazer participar, foi bom para trocar ideias e comparar métodos. Portugal tem tradição de Guarda-Redes fortes dentro do seu espaço protegido e aí continua. Mas o que mais senti foi a despreocupação da acção técnica. Em Itália, nós temos uma tremenda preocupação com a técnica do Guarda-Redes, mas em Portugal senti que o importante é agir, resolver sem preocupação da correcção técnica.

HgO - Em Itália existe alguma ideia acerca dos Guarda-Redes Portugueses?

CR - Em Itália não passam muito jogos da liga Portuguesa. De vez em quando, vemos o F.C. Porto, o S. L. Benfica ou Sporting de Lisboa, mas muito pouco. Mas a ideia que tenho é que os Guarda-Redes Portugueses são muito bons na defesa da sua zona e que agora procuram ir atrás do jogo ofensivo dos brasileiros. Mas sinto que há a procura da melhoria técnica e táctica.

HgO - O Claudio é o presidente da APPORT – Associaçao de Treinadores de Guarda-Redes Italianos. Podes explicar aos portugueses o que é a APPORT?

CR - Em Itália, tivemos sempre uma tradição de bons Guarda-Redes, mas não tínhamos uma escola, um curso. Cada um de nós trabalhava à sua maneira, sem uma linha condutora. O caminho foi a APPORT.
O treinador de Guarda-Redes deve ser das pessoas mais fortes a nível de conhecimentos, nomeadamente, leitura do jogo, acção técnica específica e conhecimentos psicológicos. Existe exigência no trabalho e responsabilidade mas não existe reconhecimento da posição de TREINADOR DE GUARDA-REDES. É por isso que lutamos, para que nas Federações seja reconhecido o Treinador de Guarda-Redes.
Além disso, realizamos cursos por todo o país. E mais que tudo, temos chegado a um entendimento do trabalho do Guarda-Redes de forma equilibrada, estabelecendo uma linha condutora.
Como associação, temos sócios que podem ir aos cursos, visitar o site e analisar artigos e vídeos específicos.
Mas ainda há muito a fazer e conquistar!


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